quinta-feira, 24 de maio de 2012

Kátia, Jacinto e Kall

Estou tonto; tiro os sapatos de uma maneira esperta, de uma maneira inteligente. Confesso que é fácil: penso que sou o Michael Jackson e estou fazendo o famoso Moon Walker recalcado - nada parecido com o original. Desabotou a calça jeans e tiro rapidamente a camisa. Fico apenas de samba canção. Estou bêbado, mas jamais quero assumir - sou cauteloso demais para afirmar que estou em uma situação de extrema vunerabilidade; tenho receio. Não confio nas pessoas, desculpe. Aprendi a ser assim conforme o tempo foi me marcando a cara com manchas vermelhas dos tapas. Éramos a ultima mesa - estava feliz. Já haviamos perdido a muito a conta dos copos, ou dos mililitros, que bebemos. Já estava satisfeito - mas isso não era suficiente: precisavamos de mais felicidade. Foi exatamente por isso que eu disse "sim". Sim, vamos; mesmo eles não sabendo que eu nunca vou, que eu sempre luto, sempre nego. Caminhei por ruas escuras com alguem que eu ainda não confiava, que eu ainda não conheica; confessei segredos que precisavam ser explicitados apenas para alguém como ele. Era uma situação perigosa - ainda que eu preferisse ser roubado à contar o meu mais intimo medo. O que eu queria dizer não seria algo que se diria normalmente a alguém. Eu já tinha bebido vários copos de cerveja.
Ela abriu seu decote e eu vi os seus seios; eram seios! Me sinto tão poderoso quando digo que não toquei em seios. É algo tão ofensivo que geralmente as mulheres se oferecem. Ela não se ofereceu, ela é diferente; tenho notado que ela precisa dividir o seu amor para muitas pessoas - tarefa complicada. Ela se divide em tantas many parts que eu nunca consigo advinhar exatamente quem ela tá sendo; eu a entendo e acho que talvez eu seja igual a ela. Alguém diz: eu vou embora, desculpa.
Você é o impossivel amor da minha vida! Carrega consigo algo tão magnético que eu me perco nas minhas palavras, que são muitas - na minha sensibilidade, que só vem pra atrapalhar. Depois, ah, depois, bem depois, eu descubro que você precisa de algo que eu desconfiava não precisar. Aula de Francês, você entende, né?! Tenho tantos reais.
Estou preocupado. Preciso do exato numero de dinheiro, de certo numero de certa diversão, de certa quantidade gargalhadas e de muita confiança. Preciso mesmo, no sentido vital, consigui dizer o que eu penso. Preciso de mais cerveja, pois ela é a desculpa mais barata para a honestidade; sei ser honesto, mas apenas quando é superficial. Anexo 1; não sei dizer que eu te amo, porque né? Quem sou eu? Não sei dizer que eu te amo também, porque né?! Quem sou eu? Não consigo dizer: ei, eu to aqui, porque né?! Eu já tô aqui. São que horas mesmo?
As luzes estão se apagando involutariamente; eu fui desafiado a ir a um carabé - eu mesmo me desafiei, pra ver se eu sou homem de verdade ou se eu apenas penso que sou. Não sei, não sei. Eu sou assim, estranho, sensivel, calado, cheio e problemas e às vezes alguém vê algo em mim e me chama de bonito. Então, eu caio nessa onda furada de que eu sou alguma coisa. Me convenço que eu sou algo que valhe a pena e, então, quando finalmente assumo isso, sou empurrado pro lado, mais uma vez. Homens são crueis - depois falo mais
Kátia, Jacinto e Kall (L)